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Os Valdenses e Albigenses (50-1500 d.C.)


Nos vales alpinos da região de Piemonte, na Itália, também houve igrejas que continuaram o seu testemunho desde a época dos apóstolos. Estas, como os Paulícios, nunca se associaram ao esquema oficial baseado em Roma. Elas foram deixadas em paz, comparativamente sem perseguição, principalmente devido ao isolamento causado pela inacessibilidade das montanhas onde habitavam, pois, como bem sabemos, naquela época não existiam as facilidades de transporte de que hoje dispomos.
No ano de 1689 um escritor declarou: “Os Valdenses são, de fato, descendentes daqueles que fugiram da Itália depois que São Paulo pregou o Evangelho entre eles. Eles abandonaram a seus pais e foram morar nas montanhas, onde, daquela época até hoje, têm pregado o Evangelho de pai para filho na mesma pureza e simplicidade como foi pregado por São Paulo”.
O nome “Valdense”, com que foram alcunhados por outros, vem de PEDRO VALDO (? - 1217), de Leão, na França, um ensinador eminente entre eles no século 12.
Pedro Valdo era um comerciante e banqueiro bem sucedido e nunca havia pensado em Deus até o dia quando um de seus convidados morreu repentinamente numa festa por ele promovida. Ele viu, então, a sua grande necessidade de salvação e converteu-se a Cristo. Tornou-se um estudioso das Escrituras até que, em 1173 vendeu quase todos os seus bens, apenas fazendo provisão para a sua esposa e saiu pregando o Evangelho. Logo outros juntaram-se a ele. De início tentaram acomodar-se ao sistema vigente na Igreja Católica, mas já em 1184 foram excomungados. O grupo passou a ser visto como uma “seita” que ficou conhecida como “Os pobres de Lião”. Como resultado do seu testemunho houve conversões até na Alemanha. Pedro Valdo foi um dos poucos pregadores que faleceu de morte natural, em 1217, na Boêmia (hoje República Checa).
A influência de Pedro Valdo sobre aquelas igrejas foi grande, especialmente com respeito à responsabilidade de evangelizar. Até então elas estavam contentes em ficar apenas na região deles, mas receberam grande impulso para a evangelização quando Pedro Valdo e seus companheiros compartilharam com elas uma nova visão de outros lugares necessitados da palavra da cruz. Em termos de doutrina prática, seguiam a simplicidade que criam ser o padrão do Novo Testamento.
1. Cada igreja local era governada por anciãos.
2. O baptismo de crianças de colo era rejeitado e somente os crentes verdadeiros podiam ser baptizados.
3. Em questões de disciplina, reconhecimento de anciãos, etc., toda a igreja participava juntamente com os anciãos. É lógico que este ponto de vista seria certo somente se os assuntos de disciplina fossem tratados primeiramente pelos anciãos, para que fosse dada orientação bíblica e fosse eliminada a possibilidade de serem as decisões tomadas com base em falsas acusações.
4. Na celebração da Ceia do Senhor o pão era compartilhado por todos, tanto quanto o vinho, ao contrário da prática adoptada pela Igreja Católica.
5. Além dos anciãos nas igrejas locais, existia um grupo de irmãos, que eles chamavam de “apóstolos” (equivalente a “obreiros” nos dias de hoje). Estes irmãos viajavam de igreja em igreja trabalhando no ensino da Palavra. Viviam uma vida de pobreza voluntária por causa do Evangelho.
6. Era dada ênfase à leitura diária da Bíblia e ao culto familiar. Conferências eram promovidas com frequência para ensino da Palavra e estímulo da comunhão entre os irmãos.
Porém, a paz no vale dos Valdenses foi interrompida em 1380 pelo Papa Clemente VII. Este enviou um monge inquisidor para tratar com os “hereges”. Nos treze anos seguintes mais de 230 pessoas morreram queimadas vivas. De 1400 em diante a perseguição aumentou, obrigando muitos a fugir para as montanhas onde morreram de frio e fome, especialmente mulheres e crianças. Esta perseguição estendeu-se por mais de cem anos.
Mais tarde houve alguma ligação entre estes irmãos e os Anabatistas, dos quais trataremos mais adiante, e ainda hoje existe a denominação dos Valdenses, porém é um grupo totalmente formal e morto. Este fato é, certamente, um aviso para todos nós!


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