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Os Priscilianos (350 - 386 d.C.)


No século 4 apareceu um reformador entre as igrejas romanas cuja influência em diversos lugares na Espanha, Lusitânia (Portugal) e sul da França fez com que muitos voltassem à palavra de Deus. Prisciliano era um espanhol de posses e posição na sociedade. Procurou a verdadeira alegria nas religiões pagãs, na filosofia e mesmo entre grupos heréticos e só a encontrou quando, por fim, converteu-se a Cristo. Foi batizado e passou a viver uma nova vida de devoção a Deus e separação do mundo. Tornou-se estudante entusiástico da Palavra de Deus e, embora não sendo clérigo, começou a pregar e ensinar. Cedo começaram a aparecer os resultados dos esforços daquele dedicado servo de Deus: em muitos lugares começaram a ser promovidas reuniões para pregar a Palavra de Deus e torná-la uma realidade para o povo.
De início a igreja oficial dava o seu apoio e até elegeu Prisciliano bispo de Ávila, mas o seu testemunho fiel suscitou a ira do clero mundano liderado por Hidácio, bispo metropolitano de Lusitânia (Portugal).
Conseguiu este a convocação de um Sínodo em Cesaragosto (Saragossa), em 380 d.C., no qual Prisciliano foi falsamente acusado de adesão às heresias do gnosticismo e maniqueísmo. Esta última ensinava o dualismo - a existência de dois deuses igualmente poderosos, um criador do mal e outro criador do bem. Nesta reunião, porém, o propósito de Hidácio não teve êxito e Prisciliano continuou pregando.
O imperador Máximo, porém, necessitava o apoio político do clero espanhol e por causa disso permitiu a convocação de outro sínodo, desta vez em Treves (Trier), em 385 d.C., quando Prisciliano e seis outros foram levados perante os bispos. Devido a influência de um bispo perverso chamado Ítaco, foram forjadas e aceitas acusações de feitiçaria e imoralidade contra Prisciliano e seus companheiros, os quais foram julgados e condenados pelo poder civil. Prisciliano e mais alguns irmãos foram executados. Além destes, morreu também uma senhora distinta, chamada Eucrácia, que era viúva de um poeta e orador famoso. Estes foram os primeiros cristãos que foram perseguidos por outros “cristãos”, ocasionando a abertura de um péssimo precedente que seria repetido muitas vezes nos anos futuros.
Dois bispos mais nobres, Martinho de Tours e Ambrósio de Milão, protestaram vigorosamente e por fim, conseguiram que Ítaco perdesse o seu bispado. Mesmo assim, aquela decisão do Sínodo de Treves recebeu a aprovação de outro Sínodo, em Braga, 176 anos mais tarde.
Ficou registrado como história “oficial” que Prisciliano e seus companheiros eram hereges que criam no gnosticismo e maniqueísmo e, além disso, eram pessoas imorais. Por causa disso os “priscilianos” foram caçados e perseguidos e essa versão “oficial” teria prevalecido, não fora a ocorrência de um fato novo e inesperado. Prisciliano escrevera muito e pensavam que todos os seus escritos estavam perdidos até 1886, quando um pesquisador chamado George Schepss descobriu na Universidade de Würzburg um manuscrito de 11 panfletos de Prisciliano, nos quais entre outras coisas ele:
1. Cita freqüentemente as Escrituras para provar o que afirma.
2. Defende o costume da realização de reuniões de estudo bíblico nas quais todos possam participar.
3. Afirma que a redenção não é um ato mágico feito pela Igreja, mas uma obra de Deus.
4. Diz que a Igreja prega o Evangelho, mas cada um individualmente tem de crer.
5. Explica que o clero não é dotado de nenhum poder espiritual especial, mas que todos os irmãos têm o Espírito na mesma medida.
6. Posiciona-se contra o gnosticismo e maniqueísmo, demonstrando ser mentirosa a história oficial.
Sem dúvida, se tivessem tido tempo suficiente, estes irmãos teriam saído do sistema em que se encontravam e que tão cruelmente fê-los pagar, pela perda de sua reputação e o sacrifício de suas próprias vidas, o preço de serem fiéis a Cristo.



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