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No
século 4 apareceu um reformador entre as igrejas romanas
cuja influência em diversos lugares na Espanha, Lusitânia
(Portugal) e sul da França fez com que muitos voltassem à
palavra de Deus. Prisciliano era um espanhol de posses e posição
na sociedade. Procurou a verdadeira alegria nas religiões
pagãs, na filosofia e mesmo entre grupos heréticos e
só a encontrou quando, por fim, converteu-se a Cristo. Foi
batizado e passou a viver uma nova vida de devoção a
Deus e separação do mundo. Tornou-se estudante
entusiástico da Palavra de Deus e, embora não sendo
clérigo, começou a pregar e ensinar. Cedo começaram
a aparecer os resultados dos esforços daquele dedicado
servo de Deus: em muitos lugares começaram a ser promovidas
reuniões para pregar a Palavra de Deus e torná-la
uma realidade para o povo. De início a igreja oficial
dava o seu apoio e até elegeu Prisciliano bispo de Ávila,
mas o seu testemunho fiel suscitou a ira do clero mundano liderado
por Hidácio, bispo metropolitano de Lusitânia
(Portugal). Conseguiu este a convocação de um
Sínodo em Cesaragosto (Saragossa), em 380 d.C., no qual
Prisciliano foi falsamente acusado de adesão às
heresias do gnosticismo e maniqueísmo. Esta última
ensinava o dualismo - a existência de dois deuses igualmente
poderosos, um criador do mal e outro criador do bem. Nesta
reunião, porém, o propósito de Hidácio
não teve êxito e Prisciliano continuou pregando. O
imperador Máximo, porém, necessitava o apoio
político do clero espanhol e por causa disso permitiu a
convocação de outro sínodo, desta vez em
Treves (Trier), em 385 d.C., quando Prisciliano e seis outros
foram levados perante os bispos. Devido a influência de um
bispo perverso chamado Ítaco, foram forjadas e aceitas
acusações de feitiçaria e imoralidade contra
Prisciliano e seus companheiros, os quais foram julgados e
condenados pelo poder civil. Prisciliano e mais alguns irmãos
foram executados. Além destes, morreu também uma
senhora distinta, chamada Eucrácia, que era viúva de
um poeta e orador famoso. Estes foram os primeiros cristãos
que foram perseguidos por outros “cristãos”,
ocasionando a abertura de um péssimo precedente que seria
repetido muitas vezes nos anos futuros. Dois bispos mais
nobres, Martinho de Tours e Ambrósio de Milão,
protestaram vigorosamente e por fim, conseguiram que Ítaco
perdesse o seu bispado. Mesmo assim, aquela decisão do
Sínodo de Treves recebeu a aprovação de outro
Sínodo, em Braga, 176 anos mais tarde. Ficou registrado
como história “oficial” que Prisciliano e seus
companheiros eram hereges que criam no gnosticismo e maniqueísmo
e, além disso, eram pessoas imorais. Por causa disso os
“priscilianos” foram caçados e perseguidos e
essa versão “oficial” teria prevalecido, não
fora a ocorrência de um fato novo e inesperado. Prisciliano
escrevera muito e pensavam que todos os seus escritos estavam
perdidos até 1886, quando um pesquisador chamado George
Schepss descobriu na Universidade de Würzburg um manuscrito
de 11 panfletos de Prisciliano, nos quais entre outras coisas
ele: 1. Cita freqüentemente as Escrituras para
provar o que afirma. 2. Defende o costume da realização
de reuniões de estudo bíblico nas quais todos possam
participar. 3. Afirma que a redenção não
é um ato mágico feito pela Igreja, mas uma obra de
Deus. 4. Diz que a Igreja prega o Evangelho, mas cada um
individualmente tem de crer. 5. Explica que o clero não
é dotado de nenhum poder espiritual especial, mas que todos
os irmãos têm o Espírito na mesma medida. 6.
Posiciona-se contra o gnosticismo e maniqueísmo,
demonstrando ser mentirosa a história oficial. Sem
dúvida, se tivessem tido tempo suficiente, estes irmãos
teriam saído do sistema em que se encontravam e que tão
cruelmente fê-los pagar, pela perda de sua reputação
e o sacrifício de suas próprias vidas, o preço
de serem fiéis a Cristo.
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