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Voltando
para as igrejas que nunca aderiram ao sistema romano, passamos a
considerar as igrejas da região chamada “Ásia
Menor”, (hoje Turquia e parte da antiga União
Soviética), as quais permaneceram nas primeiras verdades.
Estas foram também acusadas de adotar o maniqueísmo,
mas segundo os seus próprios escritos não há
a menor evidência disso. Estes irmãos não
aceitavam nenhum nome sectário e chamavam-se uns aos outros
simplesmente de irmãos ou cristãos. Contentavam-se
em fazer parte da “santa, universal e apostólica
igreja de nosso Senhor Jesus Cristo”. Cada igreja era
autônoma, diretamente responsável ao Senhor Jesus.
Recusaram-se a manter comunhão com as igrejas romana,
grega e armênia por causa da infidelidade delas. Afirmaram
que elas não tinham mais o direito de serem reconhecidas
como igrejas verdadeiras e apresentaram várias razões
nas quais fundamentaram o seu posicionamento. 1. A união
das igrejas com o estado. 2. O “batismo” de
crianças 3. A permissão da participação
de descrentes na Ceia do Senhor. 4. Outros males que
haviam sido introduzidos. Estes irmãos e igrejas fiéis
foram alcunhados com os nomes de “Paulícios”
(não se sabe por quê), ou de “Thonraks”,
por serem eles mais numerosos na cidade que tinha aquele nome, e
mais tarde, quando chegaram à região hoje chamada
Bosnia, foram chamados de “Bogomilos”, palavra
eslavônia que significa “amigos de Deus”. Este
movimento espiritual continuou por centenas de anos. Quase toda a
sua literatura foi destruída, mas permaneceu um livro
chamado “A Chave da Verdade”, publicado entre os
séculos 7 e 9, o qual apresenta as crenças dos
Paulícios de Thonrak daquela época. Apresentamos,
abaixo alguns pontos de interesse: 1. O baptismo deve
ser ministrado apenas a crentes verdadeiros. 2. Deve ser
realizado em rios ou outra água, ao ar livre. 3. O
batizando deve ajoelhar-se na água e confessar a sua fé
perante o povo. 4. O batizador deve ser um homem
moralmente irrepreensível. 5. A reunião do
batismo deve ser acompanhada pela leitura da Palavra e pela
oração. Alguns nomes de líderes daquelas
igrejas ainda são conhecidos. Entre eles consta o de
Constantino (que mais tarde adotou o nome de Silvano). Este foi
convertido no ano de 653 d.C., quando passou pela casa dele um
armênio que fora prisioneiro dos turcos, fora libertado e
estava no caminho de volta para casa. Ele ficou muito grato a
Constantino pela hospitalidade e deu-lhe um manuscrito contendo os
4 evangelhos e as epístolas de Paulo. Constantino leu,
converteu-se e tornou-se um obreiro incansável. Fixou
residência em Quibossa, na Armênia, mas passou a
viajar muito para vários lugares ao redor. O resultado
deste esforço foi a conversão de muitos católicos
e pagãos. Após trinta anos de trabalho incansável
foi Constantino Silvano denunciado a Constantino Pognotus,
imperador da parte oriental do Império Romano, o qual
emitiu um decreto em 684 d.C. determinando a morte daquele fiel
servo do Senhor. Um oficial chamado Simeão foi enviado para
cumprir o decreto. Este colocou pedras nas mãos dos
próprios amigos de Constantino Silvano e determinou que
eles executassem o apedrejamento do mestre tão amado,
julgando com isto dar um significado especial àquele ato.
Todos, porém, com uma única exceção,
arriscando as suas próprias vidas, negaram-se a atirar as
pedras. A exceção foi um jovem chamado Justo (que de
justo só tinha o nome), que fora criado por Constantino e
da parte dele fora agraciado com especial bondade, arremessou uma
pedra que atingiu e matou o seu benfeitor, recebendo com isto
grande louvor das autoridades. Assim, o falso “Justo”
transformou-se em verdadeiro Judas. Mas este não é
o fim da história! Simeão, o oficial responsável
por aquele assassinato, ficou tão impressionado pelo que
viu em Quibossa, que não teve mais paz de espírito
quando voltou à corte do Imperador. Após três
anos de intenso conflito íntimo converteu-se a Cristo e
abandonou tudo, voltando para Quibossa. Ali mudou o seu nome para
Tito e continuou o trabalho iniciado por Constantino. Dentro de
pouco tempo, porém, Justo, o mesmo traidor que apedrejara
Constantino Silvano entregou-o ao Imperador, juntamente com muitos
outros cristãos, o qual mandou que todos fossem queimados
vivos, esperando com isto infundir terror a todos quantos
pertencessem àquela “seita”. Entretanto,
aquela medida produziu efeito contrário! Tal foi a
demonstração de fé e coragem daqueles irmãos
na hora da sua morte, que milhares de outros foram encorajados a
continuar ousadamente o trabalho! Isto confirma que, como alguém
tem dito, “a perseguição é somente a
segunda alternativa do diabo para destruir a obra de Deus. O
melhor mesmo é a divisão e dissenção
internas”. Finalmente, depois de muitos anos, nos séculos
14 e 15, aquelas igrejas declinaram e desapareceram. Algumas
aliaram-se à Igreja Católica devido à
perseguição da Igreja Armênia. Outras, numa
outra região, aliaram-se aos muçulmanos e o
resultado foi a extinção. O princípio de
aliar-se com alguém só porque tem o mesmo inimigo
nunca foi uma boa idéia. É preciso ter muito mais em
comum.
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