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Aconteceu
tão cedo! Não devemos, porém, surpreender-nos
com estes fatos, pois no próprio Novo Testamento já
vemos o indício de que isto iria acontecer.
1.
INTRODUÇÃO DA DISTINÇAO ENTRE "CLÉRIGO"
E "LEIGO". É interessante notar que nas
cartas de Clemente aos Coríntios (c. 96 d.C.) e no livrinho
chamado Didaquê (começo do século II) ainda
são mencionados somente bispos e diáconos (no
plural), como em Filipenses 1.1. Já havia, porém, a
tendência antibíblica de fazer nítida
distinção entre os bispos (anciãos) e os
demais crentes. Os bispos eram chamados "clerigos" (os
que receberam ordens sacras), enquanto os demais crentes eram
chamados "leigos" (do povo). Uma triste distinção
que continua na maioria das "igrejas" até
hoje.
2. DISTINÇÃO FEITA ENTRE "O
BISPO" E "OS PRESBITEROS", SENDO DADAAO BISPO A
PREEMINENCIA NA IGREJA. Traçamos este declínio
através das cartas de Inácio de Antioquia, um
conhecido do apóstolo João. Ele foi condenado à
morte pelo imperador Trajano, no ano 110 d. C.. A sentença
foi cumprida em Roma e durante a viagem para lá Inácio
escreveu várias cartas para as igrejas que visitara no
caminho. Em todas ele exalta o bispo da igreja e exorta à
obediência total ao mesmo. Um exemplo disto temos na carta
por ele enviada à igreja de Filadélfia: "Tende
cuidado, portanto, em observar a eucaristia ... há um
altar, como há um só bispo, juntamente com os
presbíteros e diáconos". Deve ser dito que
Inácio era um irmão fiel que enfrentou a morte pelas
feras em Roma com coragem exemplar. É uma ilustração
de como irmãos bons e fiéis, apesar de sua
sinceridade, estão sujeitos a ensinar coisas erradas!
3.
ORGANIZAÇÃO DAS IGREJAS FORA DO NIVEL LOCAL. Do
século III em diante os bispos das igrejas das cidades
maiores reivindicaram autoridade sobre os bispos das igrejas
menores. Pela "lógica" o bispo de Roma (a capital
do Império) tomou a precedência, assim formando a
base para o sistema papal que vigora até hoje. A
interferência nos assuntos internos de outra igreja local,
por mais bem intencionada que seja, por parte dos anciãos
duma igreja local vizinha ou por parte de obreiros, nunca traz
resultados espiritualmente positivos, pois viola os direitos
dAquele que ainda "anda no meio dos ... candeeiros de ouro"
(Ap 2.1).
4. OUTROS DESVIOS DA VERDADE. a)
A reverência aos mártires, da qual resultou a criação
dos "santos" (século II em diante). b) O
"batismo" de bebês, introduzido nos séculos
II e III, tomou-se geral nos séculos IV e V. c)
Deturpação do Evangelho. Os filhos dos crentes, por
causa dos pais, receberam o privilégio especial de serem
também considerados membros da "igreja". A
pregação da salvação pelas obras, tão
combatida por Paulo nas cartas aos Romanos e aos Gálatas,
tomou-se comum.
5. O DESASTRE MAIOR-A FUSÃO DA
IGREJA COM O ESTADO. Esta fusão aconteceu como
resultado da suposta conversão do Imperador Constantino, o
Grande (273-334 d.C.). Na noite anterior a uma batalha decisiva na
Ponte Múlvia (27 de outubro de 312 d.C.), quando
Constantino derrotou Maxêncio e tomou-se imperador com
poderes absolutos, ele disse ter visto uma cruz no céu com
os dizeres: "Com este sinal vencerás". Ele ganhou
a batalha e tornou-se cristão nominal. Esta "conversão"
parece ter sido um ato de astúcia política devido à
existência de grande número de cristãos e à
influência por eles exercida. Gene Edwards diz que
"Constantino deve ser considerado o primeiro cristão
medieval- 90% cristão de nome e 90% pagão em
pensamento". Visto que era Imperador e mandava em tudo,
logicamente quis mandar na igreja. Como resultado o erro entrou na
igreja como uma enxurrada. Dr. Arthur Rendle Short escreveu:
"Quando o poder do paganismo foi, por fim, derrubado e a
perseguição cedeu lugar à prosperidade, os
males vieram como numa torrente. A igreja exterior e visível
fez toda sorte de concessão a fim de cativar o povo. Passou
a adotar festas pagãs e deuses pagãos, dando-lhes
nomes cristãos. A estátua de Pedro em Roma,
originalmente era de Júpiter! Uma Vênus ou uma
Minerva facilmente transformaram-se na Virgem Maria. O que faltava
em realidade espiritual no culto tentava-se suprir com música,
cerimonialismo e ostentação. Não
precisamos prosseguir fazendo menção da história
miserável de como uma sucessão de papas, às
vezes assassinos, adúlteros e amantes de dinheiro,
reivindicou infalibilidade papal, tirou a Bíblia das mãos
do povo e fez da conformidade a uma "igreja" que adorava
imagens a suprema prova da salvação de uma pessoa"
(Revista Amados N° 2-Junho de 1986, pag. 9).
6. O
ENSINO DE AGOSTINHO. Agostinho (334-430 d. C.), bispo de
Hipo, na África do Norte, foi um cristão
genuinamente convertido e, sem dúvida, foi um gigante
espiritual em muitos sentidos, mas infelizmente deixou também
muito ensino errado. Entre outras coisas, insistia obstinadamente
em ensinar que náo há salvação fora da
Igreja Católica Romana. Outro ensino dele que veio a
causar o derramamento de rios de sangue de membros da
igrejaverdadeira foi o suposto direito do poder civil, d e exigir
a ace itação obrigatória do en s in o da
igrej a , punindo até à morte, se necessário
fosse, aos que não aceitassem. Baseou este ensino perverso
na parábola da grande ceia, em Lc 14.15-24, onde o mestre
da casa, depois de ter recebido tantas recusas ao convite para a
sua festa, e ainda havendo lugar, mesmo depois de recebermuitos
pobres e enfermos a quem mandara convidar, ordenou ao seu servo:
"Sai pelos caminhos e valados e força-os a entrar".
Isto demonstra claramente o grande perigo de basear qualquer
ensino em versículos fora de contexto. Por fazer isso,
Agostinho, que pela sua estatura moral era credor da confiança
de muitos, levou-os, apoiados por aquele ensino, a praticarem o
mal contra o povo do Senhor.
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