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CAPÍTULO
VII OS DESPERTAMENTOS
Introdução O
período que chamamos de “era dos despertamentos”
compreende basicamente os anos de 1600 a 1800, e trata, em
primeiro lugar, da Igreja ocidental influenciada pela Reforma
protestante. Seguindo o mesmo espírito de reformas, os
diferentes despertamentos surgem ou a partir de indivíduos,
ou a partir de grupos que se unem para devoção a
Deus. A necessidade de continuar as mudanças no culto
religioso e no cumprimento da missão da Igreja, faz
com que se busque novas alternativas e novas ênfases na vida
cristã. Uma dependência maior de Deus, quando se
deixa grande parte da estrutura tradicional de lado, resulta numa
atuação mais direta do Espírito de Deus
e, consequentemente, em despertamento e avivamento.
1.
0 Puritanismo 1.1. O nome do movimento de reforma
vem do desejo de “purificar” a Igreja da Inglaterra,
por parte daqueles que achavam que a reforma ainda não ti
si o completada. Mais tarde, os puritanos também buscaram a
sua própria “purificação” e
a da sociedade. 1.2. É na teologia reformada do
continente europeu que os puritanos buscam suas raízes
teológicas, com elementos vindos desde a época
de Wycliffe. 1.3. Baseia-se em quatro convicções
principais: - A salvação pessoal vem inteiramente
de Deus. - A Bíblia é o guia indispensável
para a vida. - A Igreja deve refletir o ensino específico
das Escrituras. - A sociedade é um só todo
unificado. 1.4. Os puritanos deram ao leigo uma
participação maior na igreja, ao mesmo tempo que
buscavam para cada igreja local um pastor bem preparado para expor
as Escrituras. 1.5. O movimento que surgiu nos
primórdios do século XVII, se envolveu com muitas
controvérsias na Inglaterra devido a sua visão
da sociedade e dividiu-se em diferentes ramificações. 1.6.
Entre muitos puritanos famosos podemos citar John Bunyan,
autor do livro “O Peregrino”. 1.7. Em termos
missionários, apesar de alguma tentativa do próprio
movimento se expandir para outros lugares, é na influência
puritana, deixada para as igrejas que se organizam como fruto do
movimento, que vemos os maiores resultados positivos.
2.
O Pietismo 2.1. O movimento pietista teve sua origem
no seio da igreja luterana alemã no fim do século
XVII. 2.2. Definia a fé verdadeira como a crença
nas doutrinas corretas. 2.3. Algumas características
do pietismo são: - Busca de um relacionamento íntimo
com Deus. - Ênfase numa ética pessoal - beirando
ao legalismo. - Uso maior das Escrituras como única base
para a fé. - Maior participação do leigo -
o sacerdócio universal. - Uma crescente visão
missionária. 2.4. O pietismo é um
movimento complexo com muitas facetas, mas, em suma, quer reformar
a tradição protestante, já um tanto
acomodada e longe dos primeiros ideais dos reformadores. 2.5.
Alguns dos homens importantes do pietismo são: -
Phíllip Jacob Spener (1631 a 1705) - o pai do pietismo. -
August Herman Francke (1663 a 1727). 2.6. A influência
do pietismo em missões foi tremendamente importante.
Iniciativas missionárias que se organizaram mais tarde
em igrejas e agências enviadoras de missionários,
buscaram, em grande parte, sua inspiração no
pietismo. Entre elas a Missão de Halle, os Morávios
e a Igreja da Aliança da Missão Sueca. Como veremos
a seguir, algumas destas organizações missionárias
foram resultado direto do movimento pietista.
3. A
Missão de HALLE 3.1. Uma missão
dinamarquesa iniciada em 1705. 3.2. Surgiu de uma
cooperação entre o governo da Dinamarca e o
movimento pietista com centro na cidade de Halle, obra de
Francke. 3.3. Foi a primeira missão européia
a enviar missionários para outros continentes. O inicio se
deu em Tranque-bar, na Índia, com a ida de Bartolomãus
Ziegenbalg em 1705. 3.4. A estratégia utilizada
por Ziegenbalg foi a ênfase no culto, na pregação,
na catequese, na educação, na tradução
da Bíblia e na produção de literatura
vernácula. Ele estudou a filosofia e a religião
hindu para melhor conhecer o povo. 3.5. Outro
missionário famoso da missão de Halle foi Christian
Schwartz.
4. Os Morávios 4.1. Os
morávios são os remanescentes da obra de João
Hus. Os poucos que ficaram a as perseguições,
encontraram asilo junto ao conde de Zinzendorf, na Saxônia,
onde fundaram, em1722, uma aldeia denominada Herrnhut (o vigia do
Senhor). 4.2. O conde Nicolau Ludwig von Zinzendorf
(1700 a 1760) tinha, desde cedo, uma forte devoção a
Cristo e havia estudado no centro do pietismo em Halle. 4.3.
Liderados por Zinzendorf, os morávios chegaram aos
cinco continentes do mundo com seus missionários. Apesar da
pobreza e poucos seguidores, os primeiros foram enviados já
em 1732. Após 100 anos de atividade missionária,
eles contavam com 41 estações, 40 mil batizados nos
campos missionários e 208 missionários. Em 1882 (50
anos depois) já tinham aumentado para 700 estações,
83 mil batizados, 335 missionários e 1500 ajudantes
nacionais. 4.4. A proporção de
missionários por membros do movimento chegou a 1 por
25, dificilmente igualado por outro grupo na história de
missões. 4.5. A estratégia empregada pelos
morávios era: 1. Iniciar o trabalho de missões
entre povos pouco evangelizados e esquecidos. 2. O missionário
deveria ser auto-suficiente economicamente através de
comércio, indústria caseira,etc. 3. Aceitar a
cultura do povo, não colocando normas européias de
costumes e valores. 4. O missionário era o servo do
Espírito Santo enviado para evangelizar e não para
doutrinar. 5. Se o povo não aceitasse o evangelho, o
missionário deveria procurar outro campo. O missionário
era o servo do Espírito Santo enviado para evangelizar e
não para doutrinar.
5. Os irmãos Wesley A
família Wesley, na Inglaterra, era já por tradição
devota. São, principalmente, dois irmãos Wesley que
se destacam na história de igreja: John e Charles. John
Wesley (1703 a 1791), a principal figura do metodismo, tinha, já
de berço, influências do puritanismo e do
anglicanismo. O movimento que surge busca, não
obstante, também aspectos do herrnhutismo, do
industrialismo e do colonialismo. John, juntamente com seu
irmão Charles, elabora um método ritualista e
ascético para a vida religiosa dos membros. O uso deste
método levou ao apelido de metodismo. Foi entre os
operários ingleses que o movimento conseguiu maior êxito
e, enquanto o n Wesley vivia, tratava-se de um avivamento dentro
da Igreja Inglesa. Após sua morte, organizou-se numa
igreja própria. O metodismo alcançou também a
América do Norte estabelecendo sociedades metodistas,
participando na divulgação do Evangelho por
todo o mundo, com o envio de missionários, mais tarde na
história.
6. Avivamentos na América O
século XVIII trouxe à América as correntes
pietistas já existentes na Europa. Estas correntes causaram
os grandes avivamentos em diferentes grupos religiosos e colônias
de imigrantes. O Grande Avivamento, nome dado ao conjunto de
despertamentos na América, ocorrido na segunda metade
do século XVIII, significou uma forte ênfase na
experiência pessoal de conversão, incluindo aspectos
de emocionalismo e êxtase espiritual. Não
vamos analisar o Grande Avivamento em detalhes, apenas citar
alguns dos nomes importantes por terem influenciado
fortemente os rumos da obra missionária. 6.1. George
Whitefield (1714 a 1770) Inglês, o evangelista mais
conhecido do século XVIII e um dos maiores pregadores
itinerantes da história da igreja protestante. Participou
ativamente do Grande Avivamento com suas pregações
em diversos pontos da “Nova Inglaterra”. Trabalhou
ligado aos irmãos Wesley. Calcula-se que tenha p regado
durante seus trinta e três anos de ministério, 15.000
vezes! 6.2. John Eliot (1604 a 1690) Inglês,
chegou à América em 1631. Foi um dos primeiros
e, possivelmente, o maior dos missionários para os índios
americanos. Pertencia à Missão Indígena dos
Puritanos da Nova Inglaterra e trabalhou durante toda sua vida
tentando alcançar os indígenas. A estratégia
utilizada pela missão de Eliot foi: - Evangelizar,
principalmente através da pregação. -
Reunir as pessoas convertidas em igrejas locais. - Fundar
cidades cristãs, segregação. Eliot e a
missão aos índios fazem parte do movimento de
despertamento na América devido, tanto ao trabalho
realizado, como à inspiração missionária
que foi passada para as gerações posteriores.
7.
Influências dos despertamentos em missões Destacamos
algumas: 7.1. O surgimento de bases missionárias,
tanto na Inglaterra e na Europa Continental, assim como na América
do Norte. Igrejas, que mesmo divididas em denominações,
são ativas e crescentes. 7.2. Ênfase na
conversão pessoal e vida devocional intensa. 7.3.
A abertura para a obra do Espírito Santo. 7.4. Os
exemplos de pioneiros que influenciaram outros mais tarde. 7.5.
Participação dos leigos, investimento na educação
e fervor na evangelização são outros aspectos
importantes.
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