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CAPÍTULO
IV A EXPANSÃO NA EUROPA
Introdução O
período de 1.000 a 1.500 é marcado pela expansão
da Igreja ao norte europeu e pelas lutas em torno do
Mediterrâneo, as chamadas Cruzadas. Notamos que a
expansão da Igreja, assim como o combate aos muçulmanos,
se dá muito mais em função de interesses
políticos, do que por questões espirituais ou
religiosas. Naturalmente, existem exceções que
deixam algum saldo positivo do período.
1. As
Cruzadas 1.1. Com a intenção de
expulsar os muçulmanos do sul da Europa, região já
tradicionalmente cristã, as Cruzadas foram iniciadas em
1096, prosseguindo até o ano de 1291. Mas o movimento das
Cruzadas durou até 1492, quando os mouros foram
definitivamente vencidos. 1.2. As principais razões
para o uso da ofensiva armada dos cristãos nos países
do sul europeu foram: - Sentimento religioso - o desejo de se
fazer peregrinações a Jerusalém, em poder dos
muçulmanos; - Salvação pelas obras - sendo
que a participação numa cruzada era contada como uma
boa obra diante de Deus; - Busca de aventura - que atraiu
muitos para as longas e demoradas viagens; - Defesa contra os
turcos; - A miséria e a fome que predominavam o mundo da
época trouxeram um profundo desejo de mudanças e de
novas conquistas, além de um fortalecimento do sentimento
religioso que levou muitos a buscarem a realização
no monasticismo e no ascetismo; - Desejo de unir as igrejas
ocidental e oriental. 1.3. Operações
militares das Cruzadas Destacamos as quatro primeiras Cruzadas
armadas contra o domínio dos muçulmanos: - A
primeira Cruzada, 1096, - conquistou Jerusalém em 1098; -
A segunda Cruzada foi um fracasso, sendo derrotada em 1187; - A
terceira Cruzada, 1189, foi uma tentativa de refazer-se
diante do fracasso anterior; - A quarta Cruzada, 1202, saqueou
Constantinopla. 1.4. Resultados das Cruzadas - O
fortalecimento da intolerância diante dos que pensavam
diferente (o espírito das Cruzadas) que fortemente marcou a
oposição aos “heréticos” na
Europa, durante a Idade Média; - O surgimento de ordens
monásticas militares; - Uma mudança na atitude em
relação à guerra, sendo aceitável
quando em defesa da fé cristã; - Mudanças
políticas e econômicas como resultado das conquistas
e das novas relações dentro do mundo mediterrâneo; -
Um crescente conflito entre as igrejas ocidental e oriental devido
ao não respeito ao território de cada uma; - O
“mau testemunho na história”, cujas influências
são sentidas ainda hoje no relacionamento entre cristãos
e muçulmanos.
2. Personagens de destaque 2.1.
Raimundo Lull (1.232 a 1.315) Nascido em Maiorca, ilha
pertencente à Espanha, filho de família abastada,
católica romana. Teve uma experiência mística
perto dos trinta anos de idade com visões. Estudou
árabe durante nove anos. Com mais de quarenta anos foi para
o campo missionário - Tunísia. Dedicou-se a três
áreas: apologética, educação e
evangelização. Morreu, apedrejado, em Bugia
(Argélia) em 1.315. “A vida e obra de Lull são
um testemunho do poder do verdadeiro Cristianismo para resistir
até mesmo nos períodos mais negros da história
da igreja. 2.2. Francisco de Assis (1.181 a
1.226) Italiano, nascido em Assisi, filho de burgueses. Seu
nome era Giovanni mas ficou mais conhecido na história
como Francisco. Converteu-se após longo período de
meditação e busca da verdade. Escolheu viver em
pobreza e foi deserdado por seu pai. Sentiu a chamada missionária
em 1.209 e fez três viagens missionárias: ao Marrocos
em 1.212, à Espanha em 1.214 e ao Egito em 1.219, sendo a
última de maior sucesso. Fundou a ordem dos Franciscanos em
1.210 - “os irmãos menores”. “A chave da
vida de Francisco foi sua tentativa, sem meios-termos, de
imitar a Cristo através da pobreza, humildade e
simplicidade absolutas. Amava a natureza como a boa obra das mãos
de Deus e tinha profundo respeito às mulheres”
(Bishop).
3. A Pré-Reforma 3.1. Havia
no séc. XIV iniciativas de uma reforma dentro da Igreja
Romana. Alguns corajosos se opuseram as tradições
católicas romanas que, segundo eles, não tinham
base nas Sagradas Escrituras. 3.2. João Wycliffe
(cerca de 1.330 a 1.384). Foi um estudioso e teólogo
inglês, doutor em teologia e professor em Oxford. El e
rejeitou as cerimônias e organizações não
mencionadas nas Sagradas Escrituras, condenou a transubstanciação
e o poder sacramental no sacerdócio, negando a eficácia
da missa. Traduziu a Bíblia para o idioma do povo,
considerando a leitura das Escrituras fundamental para a vida
cristã. 3.3. João Hus (cerca de 1.372 a
1.415) Nascido na Boêmia (Checo e Eslováquia),
estudou teologia em Praga, sendo mais tarde docente na
Faculdade de Letras. Sacerdote, adotou um estilo de vida simples,
buscando o crescimento espiritual. Seguiu em grande parte os
ensinos de Wycliffe. Queimado na estaca em 1.415, condenado pelo
Concílio de Constança como herege. “Como
teólogo, Hus ajudou a restaurar uma visão bíblica
da igreja, uma visão que se concentrava nos ensinos de
Cristo e no Seu exemplo de pureza” (Kubricht)
4.
A expansão geográfica no período - alcançando
a Europa 4.1. A Igreja já tinha se expandido
pelo sul da Europa e chegado ao centro do continente em séculos
anteriores. Os francos, assim como os anglos e saxões,
contavam com igrejas estabelecidas ou em implantação.
O desafio era alcançar o norte, dominado pelos
vikings. 4.2. Durante séculos, os vikings tinham
apreciado a arte da guerra, se dedicando à pirataria e aos
saques às cidades do continente europeu e mesmo em outras
partes do mundo. Provocaram, inclusive, perdas ao movimento
missionário, destruindo e saqueando centros de envio e
preparo missionário, por exemplo, na Inglaterra. 4.3.
É a partir do século X que a igreja começa a
se estabelecer na Escandinávia, apesar dos esforços
anteriores de Anskar. Em 948 fala-se pela primeira vez de bispos
na Dinamarca sob o governo de Harald Blatand. Na Noruega é
principalmente o rei Olaf Tryggvesson que leva o país ao
Cristianismo. Tryggvesson faleceu no ano 1.000, mas sua obra
continuou através de Olaf Haraldsson. Na Suécia, o
processo foi mais lento, sendo o primeiro rei cristão Olof
Skötkonung no começo do século XI. A Igreja
somente se estabeleceu a partir do reinado de Sverker em meados do
século XII. A Finlândia, cujo povo pertencia a uma
raça distinta dos escandinavos, recebeu o Cristianismo em
1.155 quando o rei Erik IX, da Suécia, conduziu uma cruzada
ao país vizinho subjugando-o. 4.4. No final
do período, o “Evangelho” havia alcançado
os rincões mais extremos da Europa, conseguindo vencer o
paganismo existente e estabelecer a Igreja. Mas é
justamente nestas terras recentemente “ganhas” que a
Reforma teve mais efeito quando veio alguns anos mais
tarde.
ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE
ASSIS “Senhor, fazei-me instrumento de vossa
paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde
houver discórdia, que eu leve a união. Onde
houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver
dúvida, que eu leve a fé. Onde houver
desespero, que eu leve a esperança. Onde houver
tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que
eu leve a luz. Mestre, fazei que eu procure mais
consolar, que ser consolado; mais
compreender, que ser compreendido; Mais amar, que ser
amado. Pois é dando que se recebe; É
perdoando que se é perdoado; É morrendo
que se vive para a vida eterna!
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